domingo, 2 de maio de 2010

Fim de semana em grande


Acordei tranquila até sentir um formigueiro estranho no baixo ventre.

Nunca o tinha sentido antes, mas algo me disse que era o prenúncio da tua chegada.

Levantei-me, tomei banho, comi, fui para a maternidade como estava previsto.

Cheguei, fui observada, já não me deixaram sair, internamento, transferência, azáfama, confusão.

E eu, sempre tão calma, tão tranquila, vivi tudo de fora.

A espera, a terrível espera, atenuada por caras amigas, sempre a aparecer, a fazer companhia, a esconder a ansiedade, a rezar para que tudo corresse bem.

Correu, quando havia de tudo para correr mal. Já passou, não interessa.

Tu, pequenina, envolta em sangue, em cima da minha barriga, não chorei.

Tu, pequenina, o primeiro choro nas mãos de outra, não chorei.

Tu, pequenina, ao meu lado na maca, a dormir, não chorei.

Tu, pequenina, ao meu lado, no berço, as duas sozinhas pela primeira vez, não chorei.

Tu, pequenina, a abrir os olhos, à minha procura, a encontrar-me e a sorrires, juro que sorriste, chorei.

Foi há um ano e ainda choro quando olhas para mim, olhos de azeitona cheios de riso e amor.

Parabéns Bomboca!

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